AGROCLIMA

Conferência Brasileira de Mudança do Clima aponta destaques

08/11/2019 às 10:48
por Redação

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O SEEG - Sistema de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima aponta alguns destaques dos principais setores da economia com relação as emissões. Veja abaixo: 

 

AGROPECUÁRIA

 

O setor respondeu por 25% das emissões do Brasil em 2018, com 492 milhões de toneladas de CO2e. Trata-se de uma ligeira queda de 0,7% em relação a 2017, causada por uma redução no rebanho bovino, principal fonte de gases de efeito estufa do setor. Desde 2016, a agropecuária tem tido pequenas quedas nas suas emissões devido a variações de conjuntura. “O agro é um dos setores com maior potencial de aumentar sua ambição de corte de emissões e de aumento do sequestro de carbono com aumento de receita, mas ele vem reduzindo essas emissões em mais ou menos 1% ao ano. Estamos perdendo a oportunidade de um ganha-ganha entre redução de emissões, aumento de sequestro e aumento de produtividade”, observou Marina Piatto, coordenadora de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora.

 

ENERGIA e PROCESSOS INDUSTRIAIS

 

O setor de energia, no qual são computadas as emissões por queima de combustíveis fósseis, foi o destaque positivo do SEEG 7, com uma queda de 5% em 2018 – para 408 milhões de toneladas de CO2e. Ele respondeu por 21% das emissões brasileiras. A queda foi causada por uma combinação de três fatores principais: o aumento do uso de biocombustíveis, em especial, o salto de 13% no uso de etanol nos transportes, com uma redução idêntica no consumo de gasolina; uma temporada de chuvas regular, o que reduziu o uso de termelétricas na matriz de eletricidade; e um aumento das renováveis, sobretudo, a eólica. “Pela primeira vez as fontes renováveis não-hídricas se tornaram a segunda principal forma de gerar eletricidade no Brasil, superando as fontes fósseis”, afirmou Felipe Barcellos e Silva, analista de projetos do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente).

 

O setor de processos industriais e uso de produtos, que reúne as emissões da indústria, teve em 2018 um aumento em seus gases-estufa de 1%, puxado pelo ligeiro reaquecimento da economia – de 99,9 MtCO2e para 101,2 MtCO2e. Ele responde por 5% das emissões nacionais.

 

MUDANÇA DE USO DA TERRA

 

Responsável por 44% das emissões do Brasil em 2018, o setor emitiu 845 milhões de toneladas de CO2e em 2018, um crescimento de 3,6% em relação às 816 milhões de toneladas do ano anterior. O desmatamento na Amazônia, que subiu 8,5%, puxou as emissões para cima, mas estas foram parcialmente compensadas por uma queda de 10,9% na taxa de desmatamento no Cerrado. “Esse aumento foi capitaneado pelo Pará, onde o desmatamento explodiu principalmente nas regiões da rodovia BR-163 e na Terra do Meio”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam.

 

Neste ano, o SEEG fez um ajuste em sua metodologia que mudou de forma significativa as emissões de uso da terra e acabou levando a alterações em toda a série histórica do SEEG. É que, no Terceiro Inventário Nacional de emissões, publicado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que fornecia o parâmetro de comparação ano a ano, as emissões por desmatamento da Mata Atlântica estavam superestimadas – de forma que, mesmo com uma taxa de desmatamento 98% menor do que a da Amazônia, o bioma ainda tinha emissões na casa das dezenas de milhões de toneladas de CO2 equivalente. Usando dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, publicado pela Fundação SOS Mata Atlântica, o SEEG recalculou as respectivas emissões desse bioma.

 

RESÍDUOS

 

O setor responde por 5% das emissões do Brasil. Seu crescimento acompanha mais de perto o aumento da população e a urbanização. Em 2018, as emissões por resíduos cresceram 1,3%, com 91,9 milhões de tCO2e. “Historicamente, a principal contribuição de emissões do setor é decorrente da disposição resíduos sólidos em aterros sanitários, controlados e lixões. No entanto, observa-se uma contribuição cada vez mais significativa dos subsetores de tratamento de efluentes líquidos, tanto domésticos quanto industriais”, explicou Íris Coluna, assessora de projetos do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade. “A busca pela universalização dos serviços de saneamento pode impactar significativamente o setor. Portanto, é importante se valer de soluções que também contribuam para reduzir emissões.”

 

O que você precisa saber sobre o Observatório do Clima

 

Trata-se de uma rede formada em 2002, composta por 47 organizações não governamentais e movimentos sociais. Atua para o progresso do diálogo, das políticas públicas e processos de tomada de decisão sobre mudanças climáticas no país e globalmente. Para saber mais acesse o site www.observatoriodoclima.eco.br 

 

Sobre o SEEG: O Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa foi criado em 2012 para atender a uma determinação da PNMC (Política Nacional de Mudanças Climáticas). O decreto que regulamenta a PNMC estabeleceu que o país deveria produzir estimativas anuais de emissão, de forma a acompanhar a execução da política. O governo, porém, nunca as produziu. Os inventários nacionais, instrumentos fundamentais para conhecer em detalhe o perfil de emissões do país, são publicados apenas de cinco em cinco anos.

 

O SEEG (www.seeg.eco.br) foi a primeira iniciativa nacional de produção de estimativas anuais para toda a economia. Ele foi lançado em 2012 e incorporado ao Observatório do Clima em 2013. Hoje, em sua sétima coleção, é uma das maiores bases de dados nacionais sobre emissões de gases estufa, compreendendo as emissões brasileiras de cinco setores (Agropecuária, Energia, Mudança de Uso da Terra, Processos Industriais e Resíduos).

 

As estimativas são geradas segundo as diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Atuaram no SEEG 7 pesquisadores das ONGs: Ipam e Imazon (Mudança de Uso da Terra), Imaflora (Agropecuária), Iema (Energia e Processos Industriais) e ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade (Resíduos).

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