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Produção de cacau pode crescer 60 mil toneladas em quatro anos

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Foto: Divulgação Mapa

7 min de leitura

Foto: Divulgação Mapa - Ministério da Agricultura 

 

Com produção anual estimada em 250 mil toneladas, o Brasil é hoje o 7º maior produtor de cacau do mundo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O governo e o setor estão em busca de expandir esses números.

 

“Temos uma meta de ampliar nossos produtos em 60 mil toneladas em quatro anos”, afirma o diretor da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Waldeck Araujo. 

 

Dados da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) apontam que o país tem capacidade instalada de processar aproximadamente 275 mil toneladas de cacau. A exportação anual chega a cerca de 50 mil toneladas de derivados para diversos países, como Argentina e Estados Unidos. No ano passado, o volume total de cacau nacional foi de 174.283 toneladas, enquanto a moagem ultrapassou 219 mil toneladas.

 

A diretora executiva da AIPC, Anna Paula Losi, explica que várias iniciativas vêm sendo implementadas no país no sentido de fomentar o setor.

 

“Especialmente o CocoaAction Brasil, uma coalizão que reúne representantes de todos os elos da cadeia, pública e privada, desenvolvendo projetos que contribuam na melhoria técnica da produtividade e no fortalecimento do sistema produtivo do cacau”. 

 

Grandes estados produtores

 

Pará e Bahia são os estados que lideram o ranking de produção da amêndoa, com 128,9 mil toneladas por ano e 113 mil toneladas por ano respectivamente. Os dois estados têm investido em novas práticas para aumentar a produtividade e a qualidade do cacau brasileiro.

 

Na Bahia, por exemplo, se destaca o sistema de produção do cacau Cabruca, onde o fruto é cultivado debaixo das árvores da Mata Atlântica.

 

“É importante enfatizar que é um sistema de produção agrossilvipastoril. É uma esquematização muito conservacionista, eficaz e sustentável, quando bem manejado, é bastante produtivo”, destaca o cacauicultor e vice-presidente administrativo da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB), Guilherme Moura.

 

O plantio também é importante fonte de renda para a agricultura familiar. Dos mais de 70 mil produtores, a maioria (70%) está em pequenas propriedades.

 

Prevenção de pragas

 

Outra medida para garantir e melhorar a produção nacional é a prevenção de pragas.  A Ceplac mantém o serviço de alerta fitossanitário para as principais pragas do cacaueiro (podridão parda, vassoura-de-bruxa, ácaro da gema e mal do facão).

 

A comissão orienta os produtores sobre quais cuidados devem ser tomados para que uma praga não se instale em uma região e passe a ser endêmica, com riscos de afetar a produção em maior ou menor grau, dependendo das condições climáticas e de manejo. 

 

O trabalho é desenvolvido junto com as superintendências federais de Agricultura e os órgãos estaduais de defesa, principalmente na implantação do plano para impedir a entrada da monilíase no país. A praga já ocorre em vários países da América Central e do Sul, incluindo os que fazem fronteira com a Região Norte do Brasil.

 

Uma das linhas de ação da Ceplac é a busca de materiais genéticos resistentes às principais pagas, bem como no controle integrado (manejo).

 

“Nós desenvolvemos clones de alta produtividade e precocidade com níveis de resistência à vassoura-de-bruxa e atualmente trabalhamos de forma preventiva em relação à monilíase, que ainda não existe no Brasil”, explica o diretor Waldeck Araujo.

 

Cacau fino

 

O trabalho conjunto para dar maior qualidade ao cacau do Brasil conquistou reconhecimento internacional. Em 2019, o país foi oficialmente certificado pela Organização Internacional do Cacau (ICCO) como exportador de 100% de cacau fino e de aroma.

 

O cacau fino e de aroma é identificado por apresentar sabores diferenciados, desde frutados, florais, amadeirado, entre outros. A definição leva em consideração as características genéticas (origem), local (terroir) e o tratamento das amêndoas pós-colheita.

 

O comércio mundial de cacau e chocolate fino atende a um mercado de nicho e representa menos de 5% do total comercializado entre os países. Contudo, o produto tem preço elevado no mercado, podendo custar até três vezes mais do que o cacau comum ou a granel, conhecido como “bulk”.

 

Chocolate

 

O cacau é a matéria-prima de um dos alimentos mais apreciados no mundo, o chocolate. Rico em carboidrato, o chocolate é uma importante fonte de energia, além de ter vitaminas do complexo B e minerais, tais como o magnésio e potássio.

 

O Brasil é o 5º maior consumidor de chocolate no mundo. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), em 2019, o país produziu 759 mil toneladas de chocolate (incluindo em pó).

 

Estima-se que até 2023 a produção ultrapasse a marca de 303 mil toneladas. Conforme a associação, o Brasil exportou 28,8 mil toneladas de chocolates, em 2020, e cerca de 49,9 mil toneladas de derivados do cacau no mesmo ano.

 

O país busca conquistar mais espaço no mercado de chocolate com alto teor de cacau. A demanda pelo produto é impulsionada pelos países europeus, que consomem cerca de 8 a 10 kg per capita por ano de chocolate com alto teor de cacau, enquanto os brasileiros consomem cerca de 2,6 kg por pessoa por ano.

 

“É uma parcela da população que gosta do sabor do cacau no chocolate, cerca de 70% a 72% de cacau no produto”.

 

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