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Estiagem trouxe reflexos para a olivicultura no RS

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7 min de leitura

O setor agrícola da olivicultura é muito promissor. A produção de azeite extravirgem se consolidou em alguns estados do país.

 

O Ibraoliva estima que até 2025 o Brasil atinja 20 mil hectares de oliveiras plantados. 

Desde o começo do cultivo de oliveiras, o Rio Grande do Sul passou de 80 hectares em 2005 para aproximadamente 10 mil hectares cultivados em 2021. Nos próximos três anos a tendência é superar os 13 mil hectares. 

 

A pouco mais de 100 quilômetros da Mantiqueira, a grande quantidade de azeitonas também surpreendeu os produtores da chamada Serra Vulcânica, região que compreende 11 municípios de Minas Gerais, entre eles Poços de Caldas, e de São Paulo, como São Sebastião da Grama, onde está localizada a Fazenda Irarema, do produtor e azeitólogo Moacir Carvalho Dias.

 

Ele afirma que as terras, pouco férteis para culturas como a soja, são excelentes para a olivicultura e os resultados, este ano, são de recordes de produção. “Todas as árvores estão rendendo acima de 10 quilos, algumas chegam a 70, e até 100 quilos. Temos produtor que colhe 40 árvores por dia, chegando a 60 caixas de 20kg/dia. Mesmo com o rendimento do fruto abaixo dos 12% ou 13% esperados, por causa do excesso de umidade, estamos todos muito felizes”, comemora Dias.

 

O engenheiro agrônomo Luiz Fernando de Oliveira explica que o rendimento de azeite é menor porque, em ambientes muito úmidos, o fruto absorve a água.

 

 

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Foto: Istock

 

 

“A azeitona incha, fica maior e mais bonita, mas ela tem mais água do que azeite”, pondera o coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), um profundo conhecedor da realidade do cultivo em todo o Sudeste.

 

Segundo Oliveira, apesar do rendimento menor de azeite, a atual safra foi beneficiada pelo inverno intenso de 2021 e os pomares ficaram carregados. “Além disso, há novas plantas em idade produtiva”, lembra o especialista, que arrisca resultados excelentes para a atual safra, em toda a região. “Devemos passar os 50 mil litros de azeite do ano passado e os 80 mil litros do recorde de 2018.

 

A expectativa é atingir a casa dos 100 mil pela, pela primeira vez. A cada ano, a olivicultura tem que ser igual ou maior, não pode regredir”, projeta. no Sudeste, os olivais estão localizados em pequenas propriedades e, devido à topografia, a mecanização ainda é considerada pequena.

 

 

A primeira extração capixaba

 

Movimentação, também, nos outros estados produtores, mesmo os que ainda têm com pouca tradição em olivicultura, como Bahia, Rio De Janeiro, Santa Catarina e Paraná.

 

No Espírito Santo, a primeira extração de azeite de oliva, realizada no dia 9 de fevereiro, tem significado especial para os cerca de 150 produtores de oliveiras do estado. “É um marco histórico porque, no ano passado, os frutos colhidos precisaram ser levados até Minas Gerais para serem processados e envasados. Realizar esse processo aqui é um grande avanço para o setor”, avalia o engenheiro agrônomo Fabrício Rezende Salomão, especialista no assunto.

 

O Azeite Aracê, é oriundo das azeitonas da Fazenda Vale das Oliveiras, no município de Domingos Martins. O cultivo de oliveiras em solo capixaba iniciou há seis anos, o que é considerado recente. A expectativa de colheita, para a safra 2022, é de três toneladas de azeitonas, nos cerca de 550 hectares cultivados.

 

O maior produtor pode repetir 2021

 

A colheita está iniciando agora para os cerca de 200 produtores do Rio Grande do Sul, maior produtor do país, com quase sete mil hectares plantados e que concentra cerca de 75% da produção nacional de azeites de oliva extravirgem. A estiagem, que afeta o estado, tem reflexos nos olivais.

 

“Tivemos má distribuição de chuva, isso afetou os pomares de forma desigual. Áreas mais próximas ao litoral, como Barra do Ribeiro e Sentinela do Sul, tiveram poucos problemas com a falta de água. A nossa área, na região Sul, é intermediária e foi atingida em partes. Já mais para o interior, como Santana do Livramento, está bem preocupante. Poderia ter sido pior, mas também poderia ser melhor”, detalha Alcyr Cardoso, diretor técnico do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), e produtor, em Piratini, do azeite Olivae.

 

Apesar do mau tempo no campo, Cardoso espera que a produção gaúcha da safra 2022 se iguale à do ano passado, que ficou em 202 mil litros de azeite. A colheita deve ser beneficiada pelas novas áreas que estão entrando em produção, assim como ocorre na Mantiqueira.

 

“Será uma safra boa, devemos ter aumento no volume final em relação a 2021, mas não é uma super safra. Geralmente se planta aos poucos, por etapas, à medida que as árvores vão ficando mais velhas, têm copas maiores e a tendência é ter mais produção. A olivicultura é um cultivo em constante expansão e ainda vai crescer muito”, prevê.

 

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