AGROCLIMA

Minas Gerais e a produção de trigo

26/11/2019 às 08:41
por Redação

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A qualidade do trigo produzido em Minas Gerais conquistou o mercado consumidor, desde a  grande indústria moageira até a panificação artesanal. O trigo também é aposta para os produtores que, apesar dos problemas com o clima nesta safra, investem no cereal como a melhor opção para a rotação de culturas na região. 

 

A safra de trigo em Minas Gerais encerrou com as últimas colheitas no mês de setembro, atingindo um volume de 208,3 mil toneladas, semelhante ao da safra passada (CONAB) mas  abaixo das expectativas do setor produtivo que esperava um volume de grãos cerca de 20% maior.

 

De acordo com a Embrapa Trigo, a principal causa para a queda de produtividade foi a incidência da brusone que afetou muitas lavouras ainda no desenvolvimento vegetativo, quando o clima quente e úmido favoreceu a doença, associado ao volume de chuvas acima da média e ao maior número de dias com chuva nos meses de março e abril. Além disso, chuvas isoladas no mês de maio favoreceram a ocorrência de brusone também na fase reprodutiva. 

 

A área com trigo em Minas Gerais na safra 2019 foi de 88,3 mil hectares, 5% maior que a de 2018, mas a média de produtividade foi semelhante ao ano passado, cerca de 2.400 kg/ha (CONAB). Os produtores esperavam resultados melhores: “No ano passado colhemos 20 sacos/ha de média no trigo de sequeiro por causa da falta de chuvas, e 75 no trigo irrigado.

 

Nesta safra, os rendimentos foram 29 sacos/ha no sequeiro e 64 no irrigado. Foi o ano mais difícil para trigo de que tenho lembrança, chuvoso e quente, com muita brusone”, conta o gerente de produção da Fazenda Água Santa, Israel Nardin, que conduziu mais de 4 mil hectares de trigo em Perdizes, MG. Além da brusone, o trigo irrigado também sofreu com a ocorrência de geada e menor disponibilidade de água na região.

 

Em Uberaba, MG, o produtor Junior Guidi também esperava melhores rendimentos nos 450 hectares de trigo. As médias ficaram em 22 sacos/ha no sequeiro e 65 sacos/ha no irrigado. Ainda assim, o produtor não dispensa o trigo no sistema de produção: “O trigo de sequeiro apresentou melhor resultado econômico do que o sorgo. Conseguimos cerca de R$ 200,00 de lucro por hectare com o trigo, devido ao baixo custo da semente e com apenas uma aplicação de fungicida”, conta Guidi. O investimento em silo bolsa também permitiu guardar a produção para alcançar melhor preço no período de entressafra.

 

Aprovação do mercado consumidor

 

Na Fazenda Liberdade, em Madre de Deus, MG, o produtor Cláudio Isamu Okada destinou 500 hectares para o cultivo do trigo. As produtividades tiveram grande variação, de 35 a 104 sacos/ha em função de quebra por geada e brusone, mas o produtor comemora a qualidade do trigo colhido: “As análises de qualidade foram ótimas em 100% das áreas colhidas”.

 

Uma das cultivares utilizadas pelo Cláudio Okada é o trigo BRS 264, cultivado em 400 hectares nesta safra. Parte da produção teve como destino o Rio de Janeiro onde o empresário Roberto Silva (conhecido como “Bento”) trabalha com panificação artesanal há mais de 30 anos. “Este ano, depois de décadas de idas e vindas com trigo nacional, com constante instabilidade de qualidade, finalmente acertamos no trigo. Comprei em agosto um trigo em Madre de Deus, MG, com o agricultor Cláudio Okada. Trata-se do BRS-264. Só vi uma qualidade como essa quando tive a oportunidade de trabalhar com trigo canadense. Posso dizer que este é o melhor trigo com que trabalhamos ao longo desses 33 anos de panificação”, conta Roberto destacando que a produção de farinha integral é ainda mais exigente em qualidade na panificação: “A escolha de um excelente trigo, somado ao processo diário de moagem em pedras, reflete diretamente na qualidade do pão, resultando num produto com mais leveza que veio de uma farinha integral sempre fresca”.

 

No Moinho Sete Irmãos, em Uberlândia, MG, mais de 90% da matéria-prima tem origem nos trigais de Minas Gerais. “Quebramos o paradigma de que não era possível fazer pão francês só com trigo brasileiro. Há mais de 10 anos não utilizamos trigo argentino no moinho. Temos consciência de que aqui na Região do Cerrado temos o melhor trigo do País”, conta Max Mahlow. A preferência é pela cultivar BRS 264, que apresenta pouca oscilação na qualidade, mantendo a cor e a estabilidade na farinha. Nesta safra, a brusone afetou o suprimento da indústria: “Os primeiros lotes que chegaram ao moinho em agosto apresentaram PH muito baixo, mas o fechamento da safra em setembro trouxe um trigo de excelente qualidade”, conta Max, destacando que o consumo de trigo em Minas demanda mais de um milhão de toneladas frente a uma produção que tem se mantido em 250 mil toneladas. Com a quebra, a oferta neste ano ficou em cerca de 180 mil toneladas de trigo no Estado, situação que deverá resultar na compra de trigo da Região Sul.

 

Rotação de Culturas

 

No cultivo em safrinha, o trigo, o milho e o sorgo disputam espaço nas lavouras de sequeiro, mas o pesquisador da Embrapa Trigo Joaquim Soares Sobrinho afirma que cada uma destas culturas apresenta um período de semeadura mais adequado: “O produtor precisa levar em consideração o planejamento de toda a propriedade, envolvendo também a época de plantio e o ciclo da cultura de verão, de maneira a liberar a área na época adequada ao plantio da espécie de safrinha desejada.

 

Assim, o potencial produtivo e as vantagens de cada cultura poderão ser melhor explorados”. No caso do trigo, o pesquisador avalia que a boa produção de palhada contribui para o melhor manejo das plantas daninhas, reduzindo custos de controle na cultura de verão. 

O produtor Junior Guidi aponta ainda outra vantagem da palhada no trigo: “Observamos que a soja após o trigo traz melhores resultados. A cultura nasce melhor na palhada e aguenta mais tempo a falta de água nos anos de seca”, conta o produtor de Uberaba, MG.

Segundo o produtor de Madre de Deus, MG, Cláudio Okada, além dos benefícios agronômicos no cultivo do trigo - como controle de plantas daninhas, aumento nos teores de fósforo, redução de pragas e doenças – a cultura é economicamente interessante para movimentar o comércio de insumos e serviços, pois era um período de outono/inverno no qual as terras ficavam ociosas devido à seca e ao frio.

 

Na Fazenda Água Santa, em Perdizes, MG, a aposta no trigo visa reduzir doenças de solo e problemas radiculares nos cultivos: “O trigo tem sido a melhor alternativa de inverno para reduzir a pressão de pragas e doenças na lavoura. É um investimento que, além de trazer benefícios para o cultivo de verão, ainda oferece renda no inverno”, avalia Israel Nardin. O trigo produzido na Fazenda tem se destacado em qualidade, com a produção pré-contratada a R$ 900,00/t, acima da média da cotação atual em Minas Gerais que é de R$ 830,00/t (SEAPA/MG, out2019).

 

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo Vanoli Fronza, no cultivo irrigado, o trigo também é uma excelente opção para a rotação de culturas, principalmente com espécies olerícolas, visando interromper o ciclo de doenças. Como Minas Gerais é o maior produtor de batatas do Brasil, o uso do trigo para rotação de culturas é prática comum no sistema de produção. “Além dos benefícios do trigo no sistema de rotação de culturas, os produtores podem obter melhores resultados financeiros diretamente com a produção de grãos, o que depende desde a escolha da cultivar até as estratégias adotadas para a comercialização”, destaca Vanoli. Segundo ele, na escolha da cultivar, por exemplo, o produtor deve buscar informações sobre seu comportamento às doenças, principalmente brusone, procurando posicionar a semeadura de forma a minimizar os efeitos da doença e da ocorrência de seca. “A cultivar BRS 404 é uma opção bastante interessante, pois pode ser semeada no final da janela de plantio, por causa da sua boa tolerância à seca”, conclui o pesquisador.

 

 

Fonte: Embrapa Trigo 

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