Condições do tempo favorecem o campo em algumas regiões e exigem atenção em outras

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Tempo favoreceu parte das atividades agrícolas na última semana

A última semana foi marcada por um contraste importante entre as regiões produtoras do país. Enquanto a chuva predominou em parte do Sudeste e retornou ao Sul no fim do período, o tempo mais seco favoreceu o avanço de diversas operações agrícolas, principalmente relacionadas ao milho, trigo e algodão.

No Sudeste, uma frente fria manteve chuva frequente em São Paulo, Sul de Minas e Rio de Janeiro, contribuindo para a reposição da umidade do solo. Já no Centro-Oeste, o tempo permaneceu predominantemente quente, com pancadas mais isoladas, especialmente no sul de Mato Grosso do Sul.

Na Região Sul, uma massa de ar polar garantiu vários dias de tempo firme e temperaturas baixas, favorecendo as atividades no campo. No fim de semana, porém, áreas de instabilidade vindas do Paraguai e da Argentina devolveram a chuva à região, cenário reforçado pelo avanço de uma nova frente fria na segunda-feira.

Enquanto isso, o Norte e o MATOPIBA seguiram com predominância de calor e tempo seco. A chuva ocorreu de forma irregular na Amazônia, principalmente entre Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.

Milho avança, mas geadas e chuva exigem atenção

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 21,4% da área prevista para o milho da safra 2026/2027 já foi semeada no Brasil.

No Rio Grande do Sul, o tempo firme favoreceu a implantação das lavouras e os manejos, incluindo aplicações de nitrogênio e controle da cigarrinha nas áreas mais adiantadas.

Em Santa Catarina, a semeadura continua avançando, principalmente no Oeste, Extremo Oeste e Litoral Sul, embora o excesso de umidade em algumas áreas ainda limite o ritmo dos trabalhos e aumente o risco de falhas na emergência.

No Paraná, o plantio se aproxima da metade da área prevista, beneficiado pelas boas condições de umidade do solo.

Nos próximos dias, porém, a chegada de uma nova massa de ar polar favorece geadas entre quarta e quinta-feira no centro-sul do Rio Grande do Sul e nas serras gaúcha e catarinense. O cenário exige atenção principalmente às áreas recém-semeadas de milho.

Trigo segue em diferentes fases e chuva preocupa parte das lavouras

A Conab também informa que 21,6% da área de trigo já foi colhida no país.

No Rio Grande do Sul, o tempo seco favoreceu o desenvolvimento das lavouras e permitiu avanço dos manejos. No Paraná, a colheita continua avançando apenas durante os intervalos sem chuva, enquanto as produtividades permanecem abaixo do esperado.

Em Santa Catarina, as áreas mais precoces estão em espigamento, florescimento e enchimento de grãos, fases mais sensíveis à continuidade das chuvas. Nas demais áreas predominam lavouras em alongamento e emborrachamento, ainda sob pressão de doenças.

Em São Paulo, a combinação entre chuva e temperaturas mais baixas prejudicou a qualidade dos grãos em algumas áreas, com registros de germinação ainda na espiga.

Já em Minas Gerais, a colheita está bastante avançada e, até o momento, as chuvas não provocaram perdas significativas. Em Goiás, restam apenas áreas irrigadas para conclusão da colheita, enquanto em Mato Grosso do Sul os trabalhos já foram finalizados. Na Bahia, a colheita segue normalmente conforme as lavouras atingem o ponto ideal.

Frente fria muda o cenário no Sul e no Sudeste

A partir de quarta-feira, a primavera começa sob influência de uma frente fria em parte do Centro-Sul.

No Sul, uma massa de ar polar mantém o tempo firme e frio durante boa parte da segunda metade da semana, favorecendo a retomada da implantação do milho de primeira safra e do plantio da soja. Ao mesmo tempo, as geadas previstas exigem atenção às áreas recém-semeadas e às lavouras de trigo em florescimento e enchimento de grãos.

No fim de semana, uma nova área de baixa pressão sobre o Paraguai volta a organizar áreas de chuva e temporais sobre a região, reduzindo novamente as janelas de trabalho no campo.

No Sudeste, a chuva continua até sexta-feira em parte da região, beneficiando a reposição de umidade nas áreas cafeeiras e favorecendo o desenvolvimento inicial da soja. Por outro lado, os maiores volumes ainda podem dificultar operações de manejo, a secagem e o transporte do café, além de limitar temporariamente a colheita e o transporte da cana-de-açúcar.

Centro-Oeste e MATOPIBA seguem com cenários distintos

Após a passagem da frente fria, o Centro-Oeste volta a ter tempo mais firme e quente, favorecendo a continuidade da colheita do milho de segunda safra, das operações na cana-de-açúcar e do plantio da soja.

No Nordeste, a massa de ar quente e seca continua predominando sobre o interior, mantendo baixos índices de umidade e elevado risco de incêndios.

No MATOPIBA, esse cenário segue favorecendo a colheita e o beneficiamento do algodão, mas exige atenção ao estresse hídrico, ao planejamento da semeadura da soja e ao aumento do risco de queimadas. As melhores condições para chuva permanecem restritas à faixa litorânea.

Próxima semana deve reduzir novamente as janelas de trabalho

A tendência para a próxima semana é de um novo aumento das instabilidades no Centro-Sul.

A chuva volta a ganhar força na Região Sul, em São Paulo, no Triângulo Mineiro, Sul de Minas e em parte do Centro-Oeste, reduzindo novamente as janelas disponíveis para operações no campo.

Em Mato Grosso do Sul e no sul e oeste de Mato Grosso, um novo sistema pode interromper a colheita remanescente do milho, dificultar o plantio da soja e limitar temporariamente as operações com algodão e cana-de-açúcar.

Na Região Norte, a chuva continua mais frequente entre Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, além de aumentar em áreas do Pará. No interior do Maranhão, as instabilidades também tendem a crescer ao longo da próxima semana.

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