AGROCLIMA

Operação Carne Fraca: comunicação adequada?

24/03/2017 às 09:33
por Agrossociedade
Atualizado 24/03/2017 às 09:35

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A maneira que foi divulgada a Operação Carne Fraca, que ocupou as manchetes dos principais veículos de comunicação e mídias sociais, do Brasil e de outros países, desde 17 de março de 2017, sexta-feira, foi apropriada? Quais serão as consequências para os consumidores, produtores, agro e para a economia do Brasil?

As investigações, durante dois anos, de irregularidades na produção, processamento e comercialização de carnes no Brasil devem ser enaltecidas e apoiadas. Assim como não se pode admitir que Fiscais e Agentes Sanitários do Ministério da Agricultura tenham recebido propina para liberar licenças sem realizar fiscalização adequada nos frigoríficos. É inaceitável que tenham colocado a disposição dos consumidores, brasileiros ou de países importadores, carnes e embutidos fora do padrão de segurança e qualidade (adulterada, estragada, "maquiada", contaminada, vencida), independente da quantidade e frequência.

O problema deve ser muito bem esclarecido, deixando claro para todos, sua dimensão e risco de causar doenças nos consumidores. O caso deve ser apurado com todo rigor e rapidez e os culpados devem ser severamente punidos. Estas ações devem ter total transparência. As informações preliminares são que, de 4837 unidades frigoríficas fiscalizadas, 21 (menos que 0,5%) apresentaram irregularidades e três foram interditadas. Que de 11.000 fiscais e agentes sanitários do Ministério da Agricultura, 33 (menos que 0,3%) foram afastados. E que não existe risco sanitário de consumir carnes brasileiras.

Entretanto, os procedimentos para divulgação da Operação, sem esclarecimentos técnicos que poderiam ter sido fornecidos pelo Ministério da Agricultura, podem ter causado sérios problemas para a economia brasileira. A imagem e a reputação dos alimentos produzidos no Brasil podem ser seriamente prejudicadas. E isto pode afetar todo o agro Brasil e a nossa economia, que vem tentando superar a maior recessão de nossa história. O agro foi o principal responsável pela crise não ter sido ainda maior e é o setor que mais poderá contribuir para a retomada do crescimento, aumentando a renda, exportações, geração de empregos.

O Brasil depende do agro para proporcionar melhor qualidade de vida de sua população. O agro está presente na vida das pessoas! O mundo vê o Brasil como um grande produtor agrícola, o país que mais vai contribuir para atender a demanda de alimentos nos próximos 20, 30 anos. Mas o mundo exige, além de quantidade, qualidade!

A divulgação dos problemas nas carnes brasileiras, sem uma clara demonstração que se tratava de casos pontuais, está sendo generalizada. Consumidores brasileiros começam a questionar se o consumo de carnes disponibilizadas em nosso mercado pode causar doença. Representantes dos países importadores exigem reuniões urgentes com o governo brasileiro para obterem informações mais claras e avaliarem as ações que pretendem tomar.

Fica uma lição para que a condução do agro seja cada vez mais técnica, sem interferências políticas. E que a corrupção que assola o Brasil não ganhe espaço no setor, que vem dando tanto orgulho ao povo brasileiro: o agro! Nossa vocação, a atividade na qual temos recursos naturais, tecnologia apropriada e claras vantagens competitivas.

José Otavio Menten

Diretor Financeiro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), 

Vice-Presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), 

Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia,

Pós-Doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia,

Professor Associado da ESALQ/USP.

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