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BR é reconhecido como exportador de cacau fino e de aroma

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6 min de leitura

O Brasil foi oficialmente reconhecido pela Organização Internacional do Cacau (ICCO) como país exportador de 100% de cacau fino e de aroma. A inclusão no rol de países certificados no Acordo Internacional do Cacau, ocorreu durante reunião do Conselho Internacional da ICCO, realizada em Abidjan, na Costa do Marfim.

 

A certificação que dá status diferenciado para países que exportam cacau fino e de aroma é feita desde 1972 pela ICCO. A aprovação brasileira foi impulsionada pelo trabalho da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) na elaboração de um dossiê técnico com informações sobre o cacau do Brasil.

 

No documento aprovado, o Conselho da ICCO registra que, “embora as exportações de amêndoas de cacau sejam pequenas em volume, o painel reconheceu a apresentação de dados mostrando a situação do país como exportador exclusivo de amêndoas de cacau fino ou de aroma”.

 

A CEPLAC contou com assessoria da Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Agricultura e apoio diplomático do Departamento de Promoção do Agronegócio do Ministério das Relações Exteriores, além da atuação da embaixada brasileira em Abidjan.

 

Histórico

 

A primeira tentativa de ingresso do Brasil no anexo C do Acordo Internacional do Cacau, que reúne os países produtores e exportadores de cacau de alta qualidade, ocorreu em 2015.

As chances se tornaram mais concretas a partir da participação de técnicos da Ceplac na Conferência Mundial do Cacau de 2018, realizada em Berlim (Alemanha) e na “Reunião Preliminar do Painel Ad Hoc sobre Cacau Fino e de Aroma”, em novembro do ano passado em Guayalquil (Equador).

 

Foram realizadas várias videoconferências coordenadas pela ICCO com servidores da Ceplac até chegar a uma versão definitiva do dossiê. A solicitação brasileira foi aceita em abril deste ano, em reunião da organização realizada na cidade de Abidjan, Costa do Marfim.

 

O cacau fino e de aroma é identificado por apresentar sabores diferenciados, desde frutados, florais, amadeirado, entre outros. A definição leva em consideração as características genéticas (origem), local (terroir) e o tratamento das amêndoas pós-colheita.

 

O comércio mundial de cacau e chocolate fino atende a um mercado de nicho e representa menos de 5% do total comercializado entre os países. Contudo, o produto tem preço elevado no mercado, podendo custar até três vezes mais do que o cacau comum ou a granel, conhecido como “bulk”.

A expectativa do governo brasileiro é que o reconhecimento possa aumentar o interesse do mercado internacional pelo cacau produzido na Mata Atlântica e na Amazônia.

 

Novos desafios

 

O secretário-executivo do MAPA, Marcos Montes, destacou que um dos desafios do Ministério da Agricultura é recuperar a força da produção de cacau no Brasil. 

 

O diretor da Ceplac, Guilherme Galvão, relatou que o desafio é manter as pesquisas nas bacias da Amazônia, bioma originário do cacau, recuperar os níveis de produtividade da cultura no país e o enfrentamento da monilíase, uma nova praga que pode abater a produção de cacau do país, assim como ocorreu com a vassoura-de-bruxa, que dizimou as lavouras da Bahia, maior produtora do Brasil. 

 

Diante disso, o diretor da Ceplac informou que a comissão já tem desenvolvido, em parceria com outros países, clones de alta resistência e produtividade para formar variedades de cacaueiros tolerantes à monilíase. “Nós temos o maior centro de pesquisa e o maior banco de germoplasma de cacau do mundo. E a próxima praga a atacar o cacau é a monília, que está a 20 quilômetros da divisa com o Acre”, observou Galvão.

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