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Chuvas extremas na Amazônia prejudicam gestantes e bebês 

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Chuvas extremas na Amazônia prejudicam gestantes e bebês

5 min de leitura

por Cinthia Leone, Instituto Climainfo


Para entender como as chuvas extremas podem impactar a saúde materna e neonatal pesquisadores analisaram 291.479 nascimentos em relação a três aspectos: desenvolvimento dos fetos, duração da gravidez e peso médio ao nascer. Eles descobriram que as tempestades atípicas na Amazônia contribuíram para mais nascimentos prematuros, com restrição de crescimento nos fetos, gerando uma redução média do peso ao nascer de quase 200 gramas. O baixo peso ao nascer tem consequências duradouras para a saúde e o desenvolvimento das crianças.


O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Brasil, e foi publicado esta semana pela revista científica Nature Sustainability. 


A equipe se concentrou em todos os nascidos vivos durante um período de 11 anos em 43 municípios altamente dependentes dos rios no estado do Amazonas. Usando dados de satélite, os pesquisadores calcularam semanas de exposição pré-natal — incluindo o trimestre anterior à gravidez — para cada tipo de variabilidade da precipitação e compararam isso com o peso ao nascer e a duração da gravidez.


Eles descobriram que mesmo as tempestades fortes que não são atípicas resultam em uma probabilidade 40% maior de uma criança ter baixo peso ao nascer. As estiagens mais longas que o normal também causam danos: em média, os bebês nascem 39g mais leves. 


"Usamos dados disponíveis publicamente sobre os registros de nascimento para voltar 'no tempo' e olhar para a relação entre os extremos climáticos e o peso do nascimento", explica o autor principal da pesquisa, Erick Chacon-Montalvan, da Universidade de Lancaster. “Nosso estudo mostrou que o aumento da variabilidade climática na Amazônia é preocupante, em parte porque as desvantagens subsequentes associadas ao baixo peso ao nascer incluem baixo nível educacional, saúde mais precária, renda reduzida na idade adulta e mais riscos de morte.”


Os extremos climáticos podem afetar a saúde das mães e de seus bebês de várias formas. Chuvas torrenciais criam condições ideais para a proliferação de mosquitos, levando a surtos de malária, febre amarela, zica e dengue. As inundações, por sua vez, expõem a população a outras doenças transmitidas pela água e causam o fracasso das colheitas, reduzindo o acesso a alimentos nutritivos a preços acessíveis, o que aumenta a prevalência de problemas de saúde. Além disso, o estresse e a ansiedade relacionados aos eventos extremos podem contribuir para partos prematuros e interrupções na amamentação. 

 


Injustiça 


Para os pesquisadores, os resultados da pesquisa são evidências de que extremos climáticos causam desvantagens passadas de geração para geração, especialmente para os amazônidas socialmente marginalizados em lugares com pouca infraestrutura de saúde.  

 


"Os choques pluviométricos conferem desvantagens intergeracionais às populações dependentes de rios que vivem em áreas negligenciadas da Amazônia”, afirma Jesem Orellana, pesquisadora da Fiocruz e uma das autoras do estudo. Para ela, esse é um caso flagrante de injustiça. “Essas populações marginalizadas contribuem pouco para a mudança climática e são responsáveis pela salvaguarda da maior parte das florestas remanescentes."

 


“Devido às profundas desigualdades sociais na Amazônia brasileira, as crianças nascidas de mães indígenas adolescentes sem educação formal ou pouca escolaridade eram mais de 600 gramas menores do que aquelas nascidas em lares mais privilegiados”, explica o professor Luke Parry, do Centro de Meio Ambiente da Universidade de Lancaster. Para ele, será necessário investir muito em melhoria da saúde e mitigação da pobreza para proteger as populações ribeirinhas da Amazônia contra as mudanças nos padrões de chuvas, as inundações e as secas cada vez mais frequentes e severas.

 

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