Ícone de alerta
Alerta anterior Próximo alerta Fechar alerta

Novas variedades de citros ganham espaço nos pomares paulistas

Compartilhar Compartilhe no Whatsapp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter

10 min de leitura

A tangerineira Sunki BRS Tropical (foto) ganhou espaço na região paulistana - Crédito: Embrapa

 

Cinco variedades de porta-enxerto recomendadas ou lançadas pela Embrapa estão sendo usadas em mudas multiplicadas por viveiristas paulistas e adotadas pelos produtores do cinturão citrícola, região composta pelo planalto paulista e Triângulo Mineiro e Sudoeste de Minas Gerais. Os novos porta-enxertos apresentam boa produtividade, boa qualidade de frutos, resistência a doenças importantes da citricultura e tolerância à seca, uma realidade hoje na região.

 

A planta de citros é formada por dois indivíduos distintos: o porta-enxerto, que corresponde às raízes e parte do tronco da planta, e a copa, parte aérea responsável pelas características dos frutos. “É o porta-enxerto que dá sustentação e adaptação ao ambiente no qual a planta se encontra. Então, se ele for resistente a uma doença, por exemplo, vai passar essa característica à combinação copa/porta-enxerto”, explica o pesquisador Walter dos Santos Soares Filho, coordenador do Programa de Melhoramento Genético de Citros (PMG Citros) da Embrapa, iniciado em 1988.

 

A participação da tangerineira Sunki BRS Tropical, do trifoliata Flying Dragon e dos citrandarins Indio, Riverside e San Diego entre os mais utilizados no cinturão citrícola é comemorada pelos pesquisadores. “É uma conquista importante porque, em décadas anteriores, praticamente não se usavam porta-enxertos da Embrapa extensivamente no estado. É um indicador de que as pesquisas foram assertivas e de que esses materiais têm valor, já que os produtores vêm adotando”, salienta Eduardo Augusto Girardi, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e coordenador da Unidade Mista de Pesquisa e Transferência de Tecnologia (UMIPTT) Cinturão Citrícola, sediada em Araraquara (SP).

 

Diversificação

 

Por se tratar de uma cultura perene, de ciclo longo, em que as plantas vivem em média 20 anos, a substituição de cultivares é bem mais lenta em comparação às grandes commodities brasileiras como arroz, soja, algodão, feijão e milho, em que a área é renovada a cada safra. No Brasil, maior produtor de laranja e exportador desse suco no mundo, são cultivadas comercialmente menos de 20 variedades de laranja e apenas seis delas representam 92% dos pomares no cinturão citrícola. A citricultura é o sexto maior negócio em valor de produção agrícola entre os produtos agrícolas brasileiros.

 

A baixa diversificação de variedades de copas e porta-enxertos de citros tem sido um dos principais fatores de fragilidade da cadeia produtiva no Brasil. A situação dos porta-enxertos é ainda mais grave, em função da elevada concentração dos pomares em uma só variedade, o limoeiro Cravo, o que torna a atividade vulnerável, especialmente no que diz respeito ao surgimento de novas doenças.

 

“É uma péssima decisão para o produtor manter o seu pomar somente com um porta-enxerto e a Embrapa vem alertando os produtores há muitos anos sobre isso”, afirma o pesquisador Orlando Sampaio Passos. “Primeiro, foi a laranjeira azeda que era usada exclusivamente. Veio a tristeza dos citros nos anos 1930 [causada por um vírus que circula na seiva da planta e tem a sua disseminação pelas mudas e pelo pulgão-preto] e foram dizimados os pomares de São Paulo e da Bahia. Depois, o limoeiro Cravo também passou a ser de uso praticamente exclusivo até 2000 e, como foi mostrado pela doença morte súbita dos citros [que causa a morte em poucos meses e ainda não tem causa confirmada], toda planta que estava enxertada sobre ele no norte de São Paulo morreu devido a essa doença.

 

Forçado pela morte súbita, o produtor paulista começou há alguns anos a diversificação com o citrumelo Swingle, resistente à doença, mas mais intolerante à seca, e agora tem a participação dos porta-enxertos da Embrapa e de outros citrandarins desenvolvidos pelo Instituto Agronômico, o IAC”, conta.

 

Variedades

 

A Sunki BRS Tropical, por exemplo, é uma mutação natural do porta-enxerto Sunki comum, obtida na década de 1990 e lançada em 2003. “Ela surgiu no meio de uma população de indivíduos que eu tinha a campo, com muitas características interessantes e superiores à Sunki comum. Ela tem quase 100% de poliembrionia, ou seja, gera muitos indivíduos idênticos à planta-mãe, e possui, em média, 18 sementes por fruto — importante para a produção de mudas — enquanto a Sunki comum tem apenas duas a três sementes. Nas avaliações a campo, foi verificado que a Sunki BRS Tropical apresenta resistência à gomose ou podridão de raízes [doença causada por fungos que ataca plantas cítricas podendo levar à morte] superior à da Sunki comum e, até para surpresa nossa, induz uma excelente tolerância a seca”, destaca Walter Soares.

 

Segundo o pesquisador, esse aspecto influenciou a adoção da Sunki BRS Tropical por 2,3% das mudas paulistas até o momento. “Grandes produtores que fornecem frutas para a indústria e a própria Citrosuco, parceira da Embrapa e que é uma das maiores empresas de produção de suco do mundo, usam a Sunki como porta-enxerto, além do citrumelo Swingle, que hoje é o principal porta-enxerto da citricultura paulista. Quando os produtores de mudas viram que a Sunki Tropical é muito produtiva, até mais do que a Sunki comum, e tem um excelente rendimento no viveiro, ela começou a ser muito utilizada”, relata. Além disso, é tolerante à tristeza, ao declínio dos citros, à salinidade e à morte súbita dos citros (MSC) e tem sido recomendada como alternativa de uso em programas de diversificação de porta-enxertos.

 

Introduzidos da Califórnia e avaliados pelo PMG Citros, os citrandarins Indio, Riverside e San Diego são híbridos de tangerineira Sunki com Poncirus trifoliata (um dos porta-enxertos de maior uso na citricultura mundial). Os citrandarins são considerados uma nova geração de porta-enxertos promissores em todo o mundo, e buscam associar as vantagens apresentadas pelas tangerinas, como a menor suscetibilidade ao declínio, com as vantagens do trifoliata, como a resistência à tristeza, à gomose e ao nematoide dos citros. Podem ainda induzir a formação de plantas compactas e produtivas, conforme o híbrido.  Foram avaliados por mais de 30 anos sob diferentes copas de laranjeiras, tangerineiras e limeiras ácidas, evidenciando capacidade competitiva em relação aos porta-enxertos tradicionais. Todos apresentam elevada adaptabilidade às condições tropicais. Juntos, os três citrandarins recomendados pela Embrapa corresponderam a 1,2% dos porta-enxertos dos viveiros do cinturão em 2020. 

 

Já o trifoliata Flying Dragon, usado em 2,9% das plantas em 2020, é um porta-enxerto ananicante — reduz ao menos 50% do tamanho da planta — e, por isso, indicado para plantios adensados e irrigados, sendo um dos mais usados para a limeira-ácida Tahiti. Seu uso foi estudado pelo pesquisador Eduardo Stuchi em parceria com a Fundação Coopercitrus Credicitrus (FCC) de Bebedouro (SP). A planta de trifoliata tem forma ereta e cada fruto tem de 20 a 45 sementes, uma característica importante para a produção de mudas.

 

O tamanho menor das árvores adultas (ao redor de três metros) reduz podas periódicas, que são necessárias em outros plantios adensados, além de agilizar e facilitar as operações de colheita, inspeção e erradicação do huanglongbing (HLB), também conhecido por greening, ou “amarelão dos frutos”, a mais destrutiva doença da citricultura em todo o mundo e ainda sem controle definitivo. No plantio adensado, aumenta-se ainda a eficiência dos tratos culturais e das pulverizações, atendendo à demanda dos produtores em relação ao controle de pragas, doenças e seus vetores.

 

Um guia da citricultura

 

As informações sobre a citricultura paulista e os porta-enxertos estão disponíveis no Guia de Reconhecimento dos Citros em Campo, produzido em parceria pelo Fundecitrus, Embrapa Mandioca e Fruticultura, Centro de Citricultura Sylvio Moreira/Instituto Agronômico (CCSM/IAC) e FCC.

 

Como planejar uma safra e monitorar sua fazenda?

 

Otimizar o plantio, ficar de olho no Clima para avançar com os trabalhos no campo e observar o desenvolvimento da cultura para evitar perdas são algumas das decisões que você produtor rural precisa tomar durante a safra. 

 

AgroclimaPRO é um serviço de tecnologia da Climatempo que utiliza o conhecimento meteorológico. Com ele você pode acessar o histórico de dados de Clima para sua fazenda e pode detectar áreas com menor vigor vegetativo. Além disso, você fica sabendo como será a demanda hídrica da sua lavoura nos próximos 15 dias e ainda consegue identificar os melhores dias e horários para realizar as pulverizações. 

 

Faça parte da maior comunidade AGRO! O canal oficial da Climatempo no Telegram fornece conteúdos diários e exclusivos sobre o Clima e previsão para a agricultura. Quero fazer parte!

Experimente ter monitoramento em tempo real da sua fazenda

+ mais notícias