Abril começou com a possibilidade de plantio de trigo no Paraná, segundo o Zoneamento Agrícola. Os municípios onde já é recomendado o plantio se concentram no Norte do Estado, onde os produtores normalmente têm preferido plantar milho na sequência da soja, fazendo com que ainda não haja áreas relevantes plantadas com trigo atualmente. Inclusive, o aumento da área dedicada a segunda safra do milho, bem como da soja, foi determinante para que a triticultura tivesse um recuo de intenção de plantio.
A área a ser ocupada pelo trigo em 2025 deve recuar 20%, passando de 1,14 milhão de hectares para 0,91 milhão, conforme a primeira estimativa para a cultura. A estimativa de plantio poder sofrer ajustes nos próximos meses, especialmente com decisões tardias de semeadura, visto que essa se estende até junho no Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral).

Diversos outros fatores também pesam na decisão do produtor: aumento da área dedicada a segunda safra, primeiramente, mas também as frustrações constantes de safras verificadas nos últimos anos, aliadas a mudanças recentes nas políticas de seguro. Nem mesmo os melhores preços praticados atualmente, com as médias de março apresentando alta de 5% em relação a fevereiro e 24% em relação a março de 2024, foram capazes de reverter o cenário de desestímulo, informa o boletim do Deral.
Destaca-se ainda que os preços atuais tiveram um incremento mais expressivo que os custos, e atualmente indicam uma rentabilidade positiva sobre os custos variáveis, ao contrário de março de 2024 quando os preços indicavam um possível prejuízo.
Caso se concretize a intenção atual de plantio, esta será a menor área tritícola do Paraná desde 2012. Neste espaço, e caso o tempo seja favorável, poderão ser produzidas 2,93 milhões de toneladas, um volume bastante inferior a capacidade de moagem das indústrias paranaenses, que deverão recorrer ao trigo argentino, paraguaio e gaúcho, como tem feito nas últimas safras frustradas.