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USP cria cartilha anti-fake news sobre mudanças climáticas 

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 Mudanças climáticas e a sociedade

6 min de leitura

Imagem: reprodução de ilustração da cartilha Mudanças Climáticas e a Sociedade

 

por Cinthia Leone/Instituto Climainfo

 

“Nosso sonho é que os educadores gostem do material e o usem em sala de aula”. É assim que o professor Tércio Ambrizzi define o objetivo dos autores da cartilha Mudanças Climáticas e a Sociedade, uma iniciativa liderada por ele no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). 

 

 

Não é culpa do Sol

 

A cartilha foi desenhada para combater de antemão as desinformações mais propagadas sobre as mudanças climáticas, numa espécie de “imunização” contra fake news. Ela começa explicando como a energia do Sol se relaciona com a Terra, já que uma das mentiras historicamente mais difundidas sobre o aquecimento global é que ele seria provocado pela atividade solar, eliminando assim as responsabilidades dos humanos sobre o problema. 

 


Mudanças climáticas x aquecimento global

 

Em seguida, a cartilha detalha como funcionam as estações do ano e a diferença entre tempo — fenômenos meteorológicos, como frente fria, chuvas, ondas de calor — e clima, que é a média de eventos de tempo ao longo dos anos. Com isso, os cientistas querem combater um comportamento comum de misturar, por exemplo, um tempo frio atípico com a percepção de que o clima do mundo não está aquecendo. O material também explica que o aquecimento global e as mudanças climáticas não são a mesma coisa, embora estejam interrelacionados. 

 


O que o ser humano tem a ver com isso?

 

O livreto aponta como os seres humanos estão contribuindo para o aquecimento global, quais os cenários projetados pelos cientistas se a temperatura da Terra continuar subindo e como evitá-los e termina apresentando a relação entre as mudanças climáticas e a maior propensão para o surgimento de pandemias, como a covid-19. 

 

“Os materiais didáticos mais antigos na área de Ciências da Terra continham muitos erros porque eles não passavam pela revisão de especialistas”, explica o professor Ambrizzi. “Eles melhoraram muito nos últimos anos porque hoje é mais comum o papel do consultor técnico na elaboração dos conteúdos. Mas há um público que não teve e ainda não tem acesso a conteúdos de qualidade dessa área.” 

 


Cartilha digital para que todos possam usar

 

O professor acredita ser de vital importância a disponibilização de materiais didáticos confiáveis sobre o tema em formato digital na internet.

 

“Conseguimos recursos para imprimir algumas cópias desse material para distribuição nas escolas públicas do entorno da cidade universitária e em algumas do Sul do país, mas nossa aposta para chegar a mais pessoas é sem dúvida o formato digital”, afirma.

 

Ambrizzi explica que os conteúdos digitais minimizam custos e emissões de carbono, já que não precisam de transporte, nem consomem papel. “Falta apenas que a internet chegue para todos, o que infelizmente não vem sendo buscado pelas autoridades da área de educação do país.”

 


Combate ao negacionismo


Assim como a cartilha, Ambrizzi também procura desconstruir falsos argumentos sobre o clima em suas aulas e palestras. “Os negacionistas estão tendo que adaptar suas teorias diante das novas informações e do crescimento do consenso científico em torno das mudanças climáticas”, avalia.

 

“Antes eles falavam muito da questão do Sol estar causando o aquecimento global. Como a informação sobre a atividade solar ter diminuído nos anos mais recentes começa a chegar a um número grande de pessoas, eles estão usando agora as mudanças climáticas no passado da Terra para afirmar que não devemos nos preocupar com as mudanças atuais”, conta. 

 

 

“Os negacionistas climáticos representam hoje de 2% a 3% da comunidade científica. Eles agem para que não haja mudanças na sociedade que possam ter impactos econômicos para os setores que mais contribuem para o aquecimento global, e a maior parte deles recebe apoio financeiro desses setores”, afirma o pesquisador.

 

Para ele, os educadores devem conhecer bem as falsas teorias sobre clima para “imunizar” os estudantes antes que eles tenham contato com elas. 

 


Versão em outras línguas

A cartilha está sendo traduzida para o espanhol para tentar chegar a educadores de outros países da América Latina, e haverá também uma versão em inglês


Além do professor Tércio Ambrizzi, a cartilha tem como autores as pesquisadoras do IAG Amanda Rehbein, Lívia Márcia Mossa Dutra e Natália Machado Crespo. As ilustrações são da artista Fran Matsumoto. O projeto foi financiado por um edital da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP em parceria com o programa Santander Universidades 


Acesse o conteúdo ou baixe a cartilha em formato PDF neste site: https://www.climaesociedade.iag.usp.br/#

 

 

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